1. SEES 5.6.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  O LEGADO DE ROBERTO CIVITA
3. ENTREVISTA  NUNO CRATO  CONTRA A DEMAGOGIA NA ESCOLA
4. LYA LUFT  A EMBOCADURA DO RIO
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  ATENO  ASSIMETRIA NA COLUNA

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

O GURU DO MMA
Anderson Silva, Jnior Cigano e Jos Aldo podem ser mais conhecidos entre os torcedores novatos, mas nenhum outro lutador  to respeitado e influente quanto Rodrigo Minotauro Nogueira. Idolatrado pelos outros atletas, ele volta a lutar no prximo dia 8, em Fortaleza. Enquanto segue encarando desafios no octgono do UFC, o baiano de Vitria da Conquista ajuda a formar os campees do futuro em sua rede de academias, com franquias espalhadas por diversos pases e um projeto de expanso que prev 23 novas unidades no Brasil. O lendrio atleta recebeu a reportagem do site de VEJA em sua casa, no Rio, para falar sobre suas lutas e seus negcios  alm da misso de ajudar a moldar futuros campees. Confira tambm uma entrevista exclusiva com Fabricio Werdum, o prximo adversrio do veterano.

NOVA YORK NO ESPAO
O ilustrador americano Nickolay Lamm criou uma srie de paisagens para mostrar, de maneira cientificamente correta, como seria o skyline de Nova York nos diversos planetas do sistema solar. Em alguns, poeira e gases obscurecem o horizonte; em outros, a Esttua da Uberdade seria destruda por poderosos ventos. As imagens esto em www.veja.com.

ENEM: AQUECIMENTO PARA A REDAAO
A prova dissertativa do Enem  o maior desafio dos estudantes. VEJA.com pediu a professores a indicao de temas que podem ajudar na preparao para a prova de outubro. Eles tambm sugeriram caminhos para a criao dos textos. Confira ainda: as redaes que conseguiram nota 1000  a pontuao mxima  nas provas de anos anteriores comentadas pelos especialistas.

VACINAO EM ADULTOS
Depois da ltima vacina na infncia, por volta dos 10 anos de idade, a maior parte dos brasileiros no d continuidade ao calendrio bsico de imunizao. Um adulto no vacinado pode fazer o papel de vetor de transmisso de vrias doenas para crianas ainda no imunizadas. Reportagem no site mostra as novidades em vacinao para adultos e traz as indicaes para as diferentes faixas etrias.


1. CARTA AO LEITOR  O LEGADO DE ROBERTO CIVITA
     Na fala com que se despediu de seu pai, Roberto Civita, na cerimnia de cremao na segunda-feira passada, Giancarlo Civita reafirmou o seu compromisso e o dos irmos, Victor e Roberta, com o legado que recebiam. Disse Giancarlo: "'Nosso pai era um entusiasta do Brasil. Ele acreditava no Brasil. Durante toda a sua vida ele mostrou em atos e palavras que uma nao de verdade, vivel e justa no nasce ao acaso. Ela precisa ser construda. Ele tinha certeza de que as ferramentas para isso so a educao e a liberdade de expresso. Como seus filhos, reiteramos o compromisso que j havamos feito a ele, de perseverar na busca da verdade, na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros e no fortalecimento das instituies democrticas no Brasil". 
     Ns, da redao de VEJA, enfrentamos junto com Roberto a misso de publicar nas pginas da revista o resultado da busca honesta da verdade. Essa era, no fundo, sua nica e intransigente exigncia. O caminho para isso, repetia ele,  o seguinte: ''Esqueam os parentes, os amigos, esqueam as fidelidades partidrias, as simpatias ideolgicas, estticas ou intelectuais. Controlem suas idiossincrasias. Dominem a agitao das emoes. S ento, pensando no leitor, relatem os fatos com clareza, de maneira ordenada, sem adornos desnecessrios, transportando-o para o epicentro dos acontecimentos como um espectador privilegiado da realidade que fomos verificar em benefcio dele". Simples? "O difcil  fazer isso todos os dias", reconhecia Roberto. 
     Em seu papel de editor de VEJA, Roberto Civita foi sempre galante, espirituoso, erudito, transparente, mordaz e, claro, s vezes, difcil, como  de esperar em um ambiente jornalstico altamente profissional, em que a normalidade  inimiga, a crise uma constante e a urgncia eterna. 
     A reportagem especial desta edio de VEJA presta-lhe a derradeira homenagem. Examinamos seu legado do ponto de vista de quem vivenciou no cotidiano a aplicao de sua viso corajosa e independente. Roberto abominava os extremos na poltica, desacreditava dos dogmas religiosos, temia o fanatismo e punia a improvisao. 
     Ele tinha total confiana na fora da razo informada pela cincia e pelo conhecimento tcnico, estatstico, demogrfico, matemtico e fsico. A racionalidade e a linguagem exata eram para ele os nicos instrumentos capazes de capturar e descrever com clareza os acontecimentos naturais, sociais e econmicos. 
     Como revela a anotao deixada na caderneta em que rascunhou esquematicamente o que deveriam ser suas memrias. Roberto teve plena conscincia de suas conquistas e prezava seu lugar no centro do palco: "Se voc consegue fazer as coisas que ama e as faz bem e se diverte com elas e tambm  reconhecido, admirado (e invejado) e ainda por cima ganha dinheiro com isso, voc  verdadeiramente abenoado. Eu tenho sido".


3. ENTREVISTA  NUNO CRATO  CONTRA A DEMAGOGIA NA ESCOLA
Um dos grandes divulgadores da cincia, o ministro da Educao de Portugal diz que uma turma entusiasta do politicamente correto est deixando de lado o contedo e o mrito.
NATHLIA BUTTI

O matemtico Nuno Crato, 61 anos, notabilizou-se por divulgar e traduzir para o cotidiano os grandes teoremas e equaes  trabalho que o fez merecedor do cobiado European Science Award, em 2008. H dois anos como ministro da Educao e da Cincia em Portugal, ele comanda hoje uma radical reforma no ensino que se baseia em metas, avaliaes e mrito. Mesmo antes, Crato j era figura conhecida e muito discutida por seus colegas da educao.  do ministro o livro O "Eduqus" em Discurso Direto: uma Crtica da Pedagogia Romntica e Construtivista  em que disseminou o termo "eduqus" para se referir  linguagem empolada e vazia adotada por uma ala de educadores. Lisboeta que adora o Brasil, Crato falou a VEJA em uma de suas visitas ao pas. 

O senhor provocou debate acirrado entre educadores do mundo todo ao afirmar que a escola moderna  vitima do "eduqus". Por que o assunto causou tanto barulho? 
Minha crtica bate de frente com uma linha muito celebrada nas escolas de hoje.  uma corrente que d nfase excessiva s atitudes e  formao cvica do aluno e deixa em segundo plano o conhecimento propriamente dito. Pergunto: como investir em formao cvica se o estudante no consegue nem ler o jornal? Vejo vrios educadores por a se perdendo em uma linguagem hermtica, dbia e demaggica  que  o mais puro "eduqus"  para falar sobre seus objetivos difusos para a sala de aula. Essa turma no s resgata como radicaliza teorias do passado para combater prticas na educao que j tiveram sua eficincia amplamente atestada pela cincia. Alguns me acusam de ser insensvel ao dizer tais coisas, mas sou um entusiasta do saber cientfico e desprez-lo, a meu ver, s prejudica o ensino.

Quais boas prticas exatamente essa ala de educadores rejeita? 
Muitos batem na tecla de que prova faz mal. Acham que ela submete o aluno a um alto grau de stress, sem necessidade. Vo a na contramo do que afirmam os grandes pesquisadores. Eles j sabem que, ao ser questionada e posta a refletir sobre um contedo, a criana consegue absorv-lo melhor, avanando no conhecimento. Tambm a disciplina  um ponto em que a condescendncia e a leitura enviesada de velhas teorias ofuscam a razo. Esse grupo de educadores admite que o aluno pode ser no mximo incentivado a respeitar a ordem na sala de aula, mas nunca, sob nenhuma hiptese, ele deve ser forado a fazer isso. Nesse caso, no  preciso de muita cincia para saber que o resultado final ser muita baguna e pouco aprendizado. 

No Brasil, mais da metade das escolas se define como construtivista. Isso  bom ou ruim? 
Antes de tudo,  bom esclarecer que, embora muita gente no saiba, o construtivismo de hoje  uma interpretao livre da teoria sobre o aprendizado lanada pelo psiclogo Jean Piaget h um sculo. Para mim, sua vertente mais radical  um equvoco pedaggico completo. Ela se baseia na ideia de que o professor no passa de um mero "facilitador" do aprendizado  esse um termo muito em voga na linha politicamente correia. Soa bonito, mas  prejudicial ao ensino por derrubar pilares fundamentais. 

Quais so esses pilares? 
Um mestre tem o dever de transmitir a seus alunos os contedos nos quais se graduou. E, sim, precisa ter objetivos bem claros e definidos sobre o que vai ensinar.  ingnuo achar que o estudante vai descobrir tudo por si mesmo e ao seu ritmo, quando julgar interessante. Quem de bom-senso tem dvida de que, se a criana puder esperar a hora que bem lhe apetecer para mergulhar num assunto, talvez isso nunca acontea? 

A neurocincia vem mapeando os caminhos que a informao percorre no crebro de uma criana at ser assimilada. As  escolas j comearam a fazer uso desse conhecimento? 
Infelizmente, a grande maioria passa ao largo dessas descobertas. E isso as mantm congeladas no tempo, aferradas a pensamentos anacrnicos. A neurocincia descobriu que  possvel acelerar, e muito, o aprendizado de uma criana  base de incentivos permanentes. Isso tromba de frente com os principais postulados de Piaget. Ele acreditava que o processo de reteno de conhecimentos se dava por etapas muito bem definidas, divididas segundo as faixas etrias. Muitas escolas ainda se fiam nisso e perdem grandes oportunidades de fazer seus alunos dispararem. Outro problema comum  a demonizao da decoreba por essas correntes que se autoproclamam modernas. A memorizao no  descartvel como querem fazer parecer. 

Em que medida a memorizao pode ser til? 
Embora o construtivismo ingnuo pregue que a memorizao prejudica a compreenso, os cientistas afirmam o contrrio  que ela  essencial ao aprendizado. Isso porque tem o papel de automatizar certos raciocnios, ajudando justamente a fazer pensar melhor sobre questes mais relevantes e complexas. Numa operao bsica de soma ou de subtrao, por exemplo, a criana no precisa a cada nova conta parar para refletir sobre por que passa o nmero 1 para c ou para l. Seria um desperdcio de energia valiosa, que pode ser bem despendida nos desafios que verdadeiramente interessam. 

Afinal, o que deve ser memorizado por uma criana? 
 importante decorar a tabuada, o nome e a localizao de certos rios e cidades e as datas mais importantes no curso da histria, ainda que elas no sejam precisas. No h como o estudante no saber, no mnimo, que a independncia do Brasil aconteceu no sculo XIX ou que Aristteles viveu antes de Csar. Se ele se recusa a ter esses marcos bsicos na cabea e acha que pode sempre associar os fatos para chegar a uma resposta, est perdido. A experincia deixa claro que uma pessoa passa a fazer conexes cognitivas de muito mais qualidade e valor quando j detm um bom repertrio de conhecimentos elementares. No  preciso relacion-los com o universo todo o tempo inteiro. 

Um pensamento muito em voga nas escolas modernas  o de que a criana s aprende de verdade aquilo de que ela realmente gosta. O senhor concorda? 
Esse  um pensamento limitado. Veja o caso da leitura. Muitos educadores acham que para ler bem a criana precisa, antes de qualquer coisa, ser despertada para o gosto pela literatura. S assim ela ler muito e ganhar fluncia, dizem. A neurocincia lana uma luz interessante sobre essa questo, colocando-a exatamente ao avesso. Ela mostra que ter fluncia na decodificao dos grafemas  crucial para ler bem. Em resumo: tem de se ler muito, mesmo sem gostar. O treino precisa ser permanente, exaustivo. Quanto mais automtica se tornar a leitura, mais chances ela ter de ser prazerosa. 

O senhor se notabilizou pela divulgao da matemtica, a mais temida e odiada de todas as disciplinas escolares. Que caminhos sugere para torn-la mais atraente? 
A frmula que eu defendo no tem nada de mirabolante. A maior parte dos estudantes repudia a matemtica porque no consegue ultrapassar os obstculos que ela vai colocando pelo caminho. Eles no entendem bem os conceitos, mas, ainda assim, o professor faz com que avancem na matria. Assim, deficincias elementares acabam ficando para trs.  uma bola de neve. Numa disciplina como histria, mesmo sem ter assimilado toda a narrativa sobre a colonizao no Brasil, o aluno pode se embrenhar pelo captulo da Revoluo Industrial na Inglaterra. Mas na matemtica no  possvel progredir sobre uma base frgil e cheia de lacunas. Nessa rea, o conhecimento  cumulativo  um depende do outro. Sem dominar a aritmtica, no d para passar  trigonometria. Se isso acontecer, e acontece muito, o estudo vai se tomar improdutivo e frustrante. 

O que falta ento para um bom ensino da matemtica? 
Organizao do contedo por parte dos professores e muito treino do lado dos alunos. O ensino deve ser progressivo, sem pular etapas e sempre reforando o mais bsico. Se for preciso, que se volte ao incio. As sociedades hoje frequentemente no valorizam o conhecimento rigoroso, aquele que exige mtodo, empenho e exerccio para ser bem sedimentado. Acham que as crianas vo acabar aprendendo matemtica por osmose. Mas elas no aprendem. As avaliaes costumam ser impiedosas ao escancarar as deficincias. Na maioria das disciplinas, o aluno pode chegar  resposta certa por aproximao, mas na matemtica  diferente. No canso de repetir que tambm os pais tm um papel importante a. No lugar de enfatizar a averso aos nmeros, eles devem, isto sim, reforar a ideia de que a matemtica  essencial para o crescimento de qualquer pessoa em qualquer rea. Tambm podem falar aos filhos sobre a importncia do esforo e do treino mental. Enfim, devem ajudar a consolidar em casa o valor e o hbito do estudo. 

Currculos muito detalhados costumam suscitar resistncias por parte de educadores que se dizem tolhidos em sua liberdade de ensinar. O senhor concorda? 
Sempre aparece uma turma para empunhar a bandeira da liberdade do aluno, dizendo que ele deve aprender sem as amarras de um currculo. Esse pessoal sustenta ainda que os currculos so um limitador da aula porque podam as asas do professor. Felizmente, em Portugal, so uma minoria.  verdade que, s vezes, o dilogo fica duro com os sindicatos. Reconheo seu papel de brigar por melhorias para sua prpria classe, mas nem sempre eles tm colocado as questes fundamentais e inadiveis do ensino  frente das outras que pouco interessam  sociedade. 

Que resultados a implantao da poltica de reconhecer e premiar as melhores escolas tem alcanado em seu pas? 
As boas escolas recebem mo de obra extra de qualidade para que ajudem a consolidar o ensino de alto nvel. Essas escolas conseguem assim dar reforo a alunos com mais dificuldade e apoiar os que esto prontos para evoluir em um patamar mais avanado. Sim, os alunos so diferentes entre si e por isso mesmo devem ser tratados de forma diferenciada. A utopia do igualitarismo, essa que muitos na educao defendem, s seria possvel num nico e no desejvel cenrio  aquele em que todos so medocres. Esse  ainda um tabu. Dizer que uma criana precisa de um apoio especial no significa que ela ser excluda. Num outro espectro, os timos alunos tambm no devem ser escondidos, mas, sim, radicalmente incentivados a seguir em frente.  um fundamento bsico da meritocracia, de eficincia provada no setor privado. 

Que princpios empresariais uma escola poderia adotar? 
Toda escola pblica deveria poder escolher quem contrata e quem demite, com base no mrito.  o que planejo para os prximos anos em Portugal. Visto como um todo, o modelo de gesto da educao do sculo XXI ainda faz lembrar muito o velho sistema sovitico, em que um comit central concentra todas as decises. As escolas pblicas precisam de mais autonomia para atrair os melhores crebros e avanar mais rapidamente. 

A falta de dinheiro  sempre citada como um fator que impede a melhoria do ensino. O senhor concorda? 
Acho que nossos desafios dependem menos de dinheiro e mais de objetivos claros, ambiciosos e de organizao. Para avanarmos, precisamos formar mais e mais engenheiros, mdicos e cientistas. As crianas devem ser despertadas desde cedo para o interesse por essas reas. No ser  base do velho e empolado "'eduqus" que conseguiremos dar o grande salto. 

Portugal ocupa apenas o 27 lugar entre os 65 pases do ranking mundial de ensino da OCDE. Qual  a estratgia para melhorar? 
As escolas portuguesas sempre se basearam em recomendaes pedaggicas mais gerais e amplas do que propriamente em objetivos claros e organizados. Estou mexendo justamente a, ao sistematizar metas de aprendizado ano a ano, matria a matria, no detalhe. Ter metas para a sala de aula  crucial para orientar no s os professores como tambm os prprios pais. Sim, porque, bem informados sobre os objetivos da escola, eles podem ir l cobrar se um determinado contedo foi mal dado ou ficou para trs.


4. LYA LUFT  A EMBOCADURA DO RIO
     Adormeci pensando que, na manh seguinte, ao redigir esta coluna, usaria o tema do tempo, central no novo livro que estou escrevendo, cujo ltimo captulo tem exatamente este ttulo: "A embocadura do rio". Acordei com a notcia da morte de Roberto Civita, extraordinrio homem com quem me encontrei duas ou trs vezes, cuja coragem e brilho me do tanto orgulho de aqui escrever. Ento vai esta coluna, em sua homenagem. 
     Sempre me fascinou o tempo, rio que incessantemente nos carrega, ns distrados acumulando bens suprfluos, sedentos de prazeres, carregando culpas inteis, tramando laos bons ou destrutivos, buscando muito mais do que a nossa dignidade. Quem no quer um cargo melhor, maior salrio, mais importncia? Quem no h de preferir harmonia, simplicidade, crescimento pessoal, amores bons? 
     O tempo na minha infncia era feminino, em alemo. "Die Zeit". Ento, sem ningum ter me dito isso, para mim era uma velha bruxa instalada em todos os relgios, daqueles que davam os quartos de hora, meia hora e hora inteira, cujo tique-taque enchia a casa nas madrugadas misteriosas. A velha tricotava o tempo, mantas interminveis, suas agulhas de metal tiquetaqueando. Minutos, horas, dias. Mais tarde entendi que o tempo se estendia em anos, dcadas, milnios, e comecei a sentir um pouco mais o seu poder. E torcia, no meu corao de criana: no pare, no pare, no pare o mundo. Um dia percebi que tambm eu podia parar, e desde ento o respeitei muito mais, o Tempo, velho bruxo com seu tear desmedido, tecelo, ou rio com suas correntezas e redemoinhos, e enseadas mansas  no importa: ele tudo carrega, transforma, e faz com que, como disse Clarice Lispector. "de repente tinham-se passado vinte anos". Ou quarenta: espantoso poder dizer '"isso foi h quarenta anos'" e parecer to natural. 
     Por outro lado, esse mesmo gnomo tece laos entre as pessoas: o tempo dos casais que acumulam rancores e mgoas e aprendem a se odiar; o tempo dos casais que elaboram um amor terno e respeitoso  aqueles que de dois extremos de uma sala se entendem s pelo olhar; o tempo que transforma filhos pequenos em homens e mulheres com seu destino, mas mesmo assim podem se manter ligados a ns pelos fios do afeto e dos cuidados: ou se afastam e nem nos lembram, quando esses fios so cruelmente cortados e a gente pouco pde fazer. 
     O tempo que tem uma adversria poderosa: a memria, em que tudo est enquanto ela estiver acesa em ns. Os belos momentos, os prantos, os abraos, as paisagens, as frustraes, as grandes perdas, e aqueles que perdemos: continuam em ns com o rosto e a idade que tinham ao partir. E essa dama singular, a memria, nos ajuda em parte a suportar as despedidas: pois eu ainda sou a menina assombrada pelas curiosidades e inquietaes de dcadas atrs, minha me ainda se enfeita para uma festa diante do seu toucador com o espelho em forma de meia-lua brotando do cho, enquanto eu maravilhada, encolhida na cama de casal, observava. "Me, voc vai ser a mais bonita da festa. Me. voc  a me mais bonita da escola. Me, quando eu crescer quero ser como voc." E mesmo quando o tempo e a doena consumiram sua energia, alegria e beleza, e lhe roubaram a memria, me dou conta de que ela, como todas as pessoas, continua em todos os espelhos do mundo. Basta saber olhar. Basta saber lembrar. Algum me disse recentemente ter visto aquele toucador, com aquele espelho, em alguma casa: que sentimento pungente me invadiu. 
     O que ficar de ns nos espelhos atemporais, quando desaguarem as apressadas torrentes do rio do tempo, e terminar o trabalho desse gnomo de agulhas delirantes tecendo nossas vidas? Nunca saberemos. Seremos lanados como garrafas com mensagens: nossas vidas, nossos dias, e obras, e dores, e realizaes, e decepes, e tudo isso que estamos, a cada minuto, hora, dia, talvez dcadas, construindo sem nos darmos conta desse nosso incessante trabalho. Seremos lanados nisso cujo verdadeiro nome  Enigma. Eu o chamo Oceano. Quem sabe, Esplendor. 


5. LEITOR
FAMLIAS SEM FILHOS
A maravilhosa reportagem "Filhos? No, obrigada" (29 de maio) d voz e vez a mulheres que, como eu, decidiram no ler filhos. Tenho 35 anos, sou mdica, casada h nove anos e s assumi essa deciso dois anos atrs, pois na sociedade em que vivemos a cobrana por filhos  muito presente. Quando os questionamentos chegavam (famlia, amigos, colegas de trabalho), eu dava uma resposta genrica para desviar o assunto. Nos ltimos anos, porm, decidi assumir essa deciso perante todos, o que me deixou muito mais tranquila e segura. Meu marido me compreende, respeita e aceita minha deciso  que agora  nossa.
TAGIANE BERC
Novo Hamburgo, RS

Optar por ter filhos ou no  uma deciso da mulher, mas compor uma famlia com filhos  uma deciso do casal. No vi na reportagem a opinio de homens sobre a privao da paternidade. Tenho 28 anos, mas j faz mais de dez que tenho a ideia fixa de me abster dos filhos. So vrias as razes que me levam a tal deciso: educao rgida (meus pais nunca tiveram tato para conversar sobre maternidade), perda da liberdade, enfim, privar-me da vida. Sinto-me completa na situao atual. A minha sorte foi ter encontrado um companheiro, mais maduro, que teve filhos no relacionamento anterior, e isso nos possibilitou a tomada de deciso de uma forma mais tranquila. Mas quem so os "jovens" homens que pretendem privar-se da paternidade?
ALINE P. BERGAMASCHINE
So Paulo, SP

Eu me vi em cada depoimento da reportagem de VEJA. Eu e meu marido somos casados h quatro anos e optamos por no procriar. A presso absurda que sofremos e as expresses de espanto quando revelamos nossa opo fazem parte do dia a dia. Tenho um casamento pleno e feliz.
SIMONE PEREIRA BORGES PAIXO
Bauru, SP

Adorei a reportagem. Sou advogada, administradora de empresas, tenho duas ps-graduaes e no pretendo ter filhos. Nunca tive vontade. Senti o "peso"' da cobrana social, mas resolvi ser feliz pelas minhas escolhas pessoais, e no pelo que os outros chamavam de felicidade para a minha vida. Isso no me fez fria ou egosta: exero a maternidade com os meus pais e com os jovens que trabalham comigo, que necessitam dos mais variados conselhos sobre a vida e no os possuem por terem pais ausentes  isso  lamentvel!
TATIANA ESTEVE BUZZE
So Paulo, SP

Admiro as mulheres que optaram por no ter filhos por causa da carreira profissional. No adianta ter filhos e depois terceiriz-los.
JARDEL LUIS_ZALOTINI
Campinas, SP

Tenho 36 anos, no sou louca por trabalho nem tento alar voos longos na carreira. Sou uma mulher que no se sente menos feliz por no ter tido filhos. Meus motivos para no ter optado pela maternidade so multifatoriais. Primeiro, nunca senti urgncia fisiolgica em engravidar. Segundo, criar filhos com base nos valores aprendidos anteriormente e que me norteiam parece impossvel nos tempos aluais. Terceiro, no quero colocar mais um ser vivo no planeta para consumir e poluir.
GRAZIELA BIAVATI
Braslia, DF

Tenho 39 anos e, assim como uma das entrevistadas, considero que o momento de engravidar j passou para mim.  muito difcil no ser me numa sociedade que cobra isso o tempo todo. As revistas de celebridades que colocam as grvidas da vez na capa, afirmando que s se sentem plenas aps a maternidade", so um soco no estmago. Obrigada, VEJA. A reportagem me mostrou que eu no sou a nica a passar por todos os questionamentos que envolvem a opo de no ter filhos.
KARLA AMARAL MEIREULES
Rio de Janeiro, RJ

As mulheres que fizeram a opo de no ter filhos desconhecem a verdadeira ddiva da maternidade e da paternidade: sentir o amor mais forte, mais dodo, mais completo que um ser humano pode sentir  e que s quem j sentiu pode descrever.
EDUARDO DI PIERO
Rio de Janeiro, RJ

Sou me de duas crianas (de 7 e 2 anos). Trabalho, estudo, viajo e me divino muito!
SARISA DE ALENCAR EDUARDO MACHADO
Juazeiro do Norte, CE

A deciso de uma mulher, e consequentemente do casal, de no ter filhos compreende uma questo essencial no citada na reportagem. Nenhum dos entrevistados contou como vai fazer quando estiver velhinho, doente e dependente.
RAQUEL ARAJO BECHINI
Belo Horizonte, MG

Criar filhos  realmente tarefa rdua, e isso, sim, no  para qualquer mulher. A sociedade precisa de pessoas ntegras, de bom carter, que respeitem os outros e privilegiem a democracia mesmo quando discordarem das opinies alheias. Criar filhos   mais difcil que ascender profissionalmente, fazer mestrado ou doutorado.
MJEDA D.M. POPP
Curitiba, PR

ABRAHAM SKORKA
Notvel a entrevista com o rabino argentino Abraham Skorka ("O amigo judeu do papa Francisco'", 29 de maio), que revelou uma poderosa inteligncia associada a equilbrio e sensatez nas colocaes religiosas e pessoais, demonstrando como  possvel a convivncia harmoniosa entre as religies.
ARQUIMEPES EUGNIO SANTOS
Mogi Mirim, SP

Como catlico, entendo que veio em boa hora essa entrevista, porque explica muitas das declaraes do sumo pontfice, dando-lhes a verdadeira dimenso.
VILSON JOO SCHUBER
Belm, PA

As palavras do rabino Skorka confirmam que a escolha de Bergoglio para dirigir a Igreja Catlica foi sbia, serena e iluminada.
RONALDO ULLER
Brusque, SC

As revelaes sobre a coerncia de vida de Jorge Mrio Bergoglio reforam a certeza das grandes bnos que Francisco ainda trar para a Igreja.
GEOVANNI MELGAO
Braslia, DF

J est na hora de fazer uma '"errata" da Bblia para uso dos fiis. No se podem admitir coisas como: "Um tio pode casar-se com uma sobrinha, mas uma tia no pode ficar com um sobrinho'". Os doutores da Igreja devem ser mais sinceros e dizer realmente o que pensam. O povo no  to cordeiro assim. Por isso o esvaziamento das igrejas.
JOS MRCIO MOURO
Rio de Janeiro, RJ

COMISSO NACIONAL DA VERDADE
Lapidar a reportagem "Vingana  o objetivo" (29 de maio). A Comisso Nacional da Verdade  uma fraude. Com exceo de Jos Paulo Cavalcanti, todos os demais membros da comisso so stalinistas. Chegou-se ao cmulo de os comissrios Rosa Cardoso, Maria Kehl, Paulo Pinheiro e Cludio Fonteles declararem que "militares lanaram  bombas de napalm nos guerrilheiros" e que "criancinhas eram torturadas". A tortura  asquerosa: o terrorismo, tambm.
PAULO PAIVA
Recife, PE

VEJA foi feliz, ao abordar o trabalho realizado at o momento pela Comisso Nacional da Verdade. Realmente, esse grupo foi formado nica e exclusivamente pelo revanchismo, pois se ateve a s apurar os atos praticados pelos que exerciam o poder. Em nenhum momento foi tomada qualquer atitude para analisar a atuao dos que, do outro lado, tambm praticaram atos de violncia contra inocentes.
JOS ROBERTO EVANGELETA MARQUES
Santos, SP

Excelente reportagem sobre os reais propsitos da Comisso Nacional da Verdade, que busca no mais do que a simples vingana como seu objetivo. Quer resguardar os terroristas da esquerda.
CARLOS ALBERTO PINTO PESSOA
Olinda, PE

At que enfim uma reportagem sensata a respeito da Comisso Nacional da Verdade, que s analisa uma face da moeda, deixando de investigar os sequestros e atentados perpetrados por terroristas de ento.
PAULO MOLINA PRATES
Braslia, DF

CARTA AO LEITOR
A oportuna Carta ao Leitor "A verdade dos fatos'" (29 de maio) acertou ao lembrar o texto de uma edio de VEJA de 1979, que prev que cada lado continuaria a ser exatamente como . Agora, 34 anos depois, algum acredita que os militares podero mudar de ideia e comear a se arrepender de ter feito a revoluo de 1964? Estaro sempre convencidos de que, se no tivessem agido, o Brasil hoje seria uma grande Cuba. E os terroristas, treinados e financiados por potncias estrangeiras, vo se arrepender e reconhecer que no deviam ter feito o que fizeram, principalmente agora que tomaram conta do governo? Perderam a guerra suja, mas so eles que esto escrevendo a histria.
RUY MOZZATO
Rio de Janeiro, RJ

SUA
Li com interesse a reportagem ''Guerra aos parasos fiscais" (15 de maio.). A Sua possui um dos centros financeiros mais importantes do mundo. Para manter essa qualidade, o governo suo combate ativamente o mau uso das instituies financeiras. O pas se empenha na luta contra a criminalidade, a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Cumpre os padres internacionais e no  um refgio para o capital ilegal e criminoso. O estado de direito e a segurana jurdica so alguns dos atributos bem conhecidos da Sua e um trunfo do seu centro financeiro. O governo suo apresentou, h algumas semanas, medidas para intensificar ainda mais a luta contra a lavagem de dinheiro e os abusos na rea fiscal. Entre outras medidas tomadas, as recomendaes revisadas na Financial Action Task Force (FATF)  conselho internacional, lder em combate de lavagem de dinheiro  esto sendo inseridas na legislao sua. Em casos de suspeita de infraes fiscais, a instituio governamental sua contra a lavagem de dinheiro deve ser contatada. Infraes fiscais graves sero doravante punidas nos termos de lavagem de dinheiro. A legislao federal sua impe s instituies financeiras nacionais a obrigao de tomar todos os cuidados necessrios ao receber dinheiro para evitar a lavagem de dinheiro e combater o financiamento do terrorismo. Esses dispositivos so ainda mais reforados e expandidos na rea fiscal. As regras dos bancos suos a respeito do "Know your customer'" (Conhea o seu cliente) so as mais severas do mundo. No que tange  troca automtica de informao, a Sua segue uma abordagem construtiva. Ela  membro do comit fiscal da OCDE que trata desse assunto. Participou do ltimo encontro dos ministros da Fazenda do G-20 em Washington em abril passado. Nesse mbito, a Sua contribuiu para a redao do comunicado de imprensa dessa reunio. Ressalto o trecho seguinte: "Saudamos os progressos realizados para a troca automtica de informaes que dever ser o padro e instamos todas as jurisdies a avanar por esse caminho com os seus parceiros de tratados, conforme o caso..."'. O governo suo se empenha em favor de um centro financeiro ntegro, estvel e competitivo. Seu objetivo  oferecer um centro financeiro que seja o melhor lugar para o dinheiro limpo.
WILHELM MEIER
Embaixador da Sua no Brasil
Braslia, DF

CONTAS PBLICAS
Sobre a reportagem "'Com a corda no pescoo" (29 de maio), informo que o comprometimento da receita corrente lquida (RCL) com a despesa total de pessoal em 2012 do Poder Executivo do estado de Pernambuco foi de 45,19%, A projeo fiscal do governo de Pernambuco  encerrar o exerccio de 2014 com resultado de 43,7%.
DCIO PADILHA
Secretrio de Administrao de Pernambuco
Recife, PE

BOLSA FAMLIA
Alarmante o potencial destruidor na educao dos beneficirios do programa Bolsa Famlia ("A massa de manobra do PT", 29 de maio). A reflexo da beneficiria Francisca Flores (Veja Essa, 29 maio), de So Lus (MA), quando diz que no consegue comprar uma cala de 300 reais para a filha, pois recebe apenas 134 reais, sustenta minha convico e repdio a esse absurdo. Sou gerente de uma grande agncia de propaganda de Manaus, com um salrio muito bom, e no consigo encontrar em meu armrio nenhuma cala que tenha custado 300 reais. O Bolsa Famlia perpetua a dependncia de miserveis do benefcio do governo. Os danos culturais e a perda de valores ticos por venderem-se  fome eleitoreira do PT trazem ao Brasil o caos social.  no bero familiar que aprendemos a pr as mos apenas onde alcanamos. Assim meus pais criaram onze filhos. Algo deve ser feito, mas por quem?
TNIA DE MIRANDA
Manaus, AM

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM 
PELUSO
Cezar Peluso tem dito que a aposentadoria, para ele, no  motivo de acomodao. Nos ltimos dias, ele est redigindo pareceres e prestando consultorias a polticos enrolados no TSE. www.veja.com/radar

DE NOVAYORK
CAIO BLINDER
LBANO
Voc est confuso com a Sria? Est cansado de acompanhar o conflito? Ento, v para o Lbano. A Sria hoje  o Lbano de ontem, e o Lbano poder ser amanh a Sria de hoje. www.veja.com/denovayork

VIVER BEM
CAROLINA D'UREA
Dores
Uma das principais causas da dor na regio cervical  permanecer por longos perodos na frente do computador. Essa posio impe uma flexo excessiva do pescoo, responsvel por equilibrar nossa cabea e realizar os movimentos para dirigir a viso. A dor  consequncia. www.veja.com/viverbem

FAZENDO MEU BLOG
PAULA PIMENTA
TRANSTORNOS
A anorexia e a bulimia so transtornos alimentares graves. Os dois tm em comum a busca pelo emagrecimento a qualquer custo. As pessoas se esquecem de que o importante  respeitar o prprio tipo fsico. www.veja.com/paulapimenta

SOBRE PALAVRAS
LITERALMENTE, MAS NEM TANTO
"Estou literalmente frita", diz a moa que acabou de perder o emprego. No  de hoje que o advrbio "literalmente" vem sendo usado de forma liberal demais, como se seu papel fosse apenas intensificar, frisar, quando na verdade tem funo bem diferente. Quer dizer "ao p da letra" e indica que uma palavra ou expresso no deve ser compreendida, naquele caso, em sentido figurado.
www.veja.com/sobrepalavras

NOVA TEMPORADA
HERCULE POIROT
Ao longo de 25 anos, o ator David Suchet deu vida ao clebre Hercule Poirot, personagem criado por Agatha Christie, oferecendo aos fs da escritora o que muitos consideram a melhor caracterizao do detetive belga feita at hoje. Mas os dias de Poirot na TV esto chegando ao fim, para a tristeza dos fs. O canal ITV se prepara para estrear a 13 e ltima temporada da srie, que comeou em 1989 com a misso de adaptar toda a obra de Christie protagonizada pelo detetive. Nem sempre fiel ao original, o seriado exibiu at agora 65 episdios, de cinquenta a noventa minutos de durao cada um. No Brasil, a serie chegou a ter alguns captulos exibidos pelo Multishow. Atualmente, est na grade de programao do canal Film & Arts. |
www.veja.com/temporada

IMPERDVEL
THE FALL
A minissrie responsvel por aumentar a audincia do canal britnico BBC2, onde foi exibida em maio, est disponvel no Netflix. Ela conta a histria da investigao sobre o assassino em srie Paul Spector (Jamie Dornan), de Belfast, Irlanda do Norte. A ao policial  comandada pela detetive Stella Gibson (Gillian Anderson, conhecida pela atuao em Arquivo X). Em cinco episdios, The Fall retrata os casos sob trs pontos de vista: da polcia, do assassino e da famlia das vtimas. A minissrie teve audincia mdia de 3,5 milhes de pessoas e foi aclamada pela crtica, que considerou o thriller psicolgico uma das melhores produes transmitidas pela BBC nos ltimos anos.
www.veja.com/imperdivel

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  ATENO  ASSIMETRIA NA COLUNA
Escoliose e cifose afetam a qualidade de vida de adolescentes e podem evoluir rapidamente se no tratadas.

     Engana-se quem pensa que os problemas na coluna so sinais inerentes ao avano da idade. No final da infncia e incio da adolescncia, coincidindo com a fase de crescimento, aproximadamente aos 10 ou 12 anos, duas condies podem prejudicar a qualidade de vida dos jovens: a cifose e a escoliose  esta ltima a mais comum, Porm, diferentemente do que os pais possam acreditar, nenhuma das duas condies  causada pelas mochilas pesadas que muitas vezes eles carregam nos ombros. Na verdade, so consideradas condies idiopticas, ou seja, surgem espontaneamente e tm causas diversas, podendo variar de erros de formao nas vrtebras e assimetria da musculatura a problemas neurolgicos.
     Atentos ao crescimento dos filhos, os pais podem ser os primeiros a perceber a alterao na coluna. Os professores tambm podem notar, principalmente os de Educao Fsica, porque esto em contato com o aluno quando ele est em movimento.
     A coluna normal deve ser reta e, quando vista de lado, deve ter uma curvatura prximo do pescoo e outra na regio lombar. No caso da escoliose, contudo, ao observar uma pessoa de costas o que se v  um desvio da coluna para a esquerda ou direita, como se ela estivesse girando. As costelas vo para um dos lados, como se formassem um "S". Uma curvatura de at 15  considerada benigna mas requer observao. Curvas de 15 a 30 so um sinal de alerta. Acima desse valor, o tratamento  indicado, podendo at ser cirrgico nos casos acima de 50 por causa do risco de insuficincia respiratria, j que a capacidade pulmonar fica reduzida.
     Para verificao da cifose (popularmente conhecida como corcunda) a coluna deve ser vista de lado, para que se possa notar uma curva acentuada na regio torcica. A curvatura de 20 a 40  considerada dentro da normalidade. Para curvas de 40 a 60  necessrio acompanhamento mdico, que avaliar a melhor opo de tratamento.
     O exame de radiografia confirma o diagnstico e, identificado o problema,  recomendvel o acompanhamento clnico trimestral. Se houver evoluo do quadro para pior, de acordo com o nvel de deformidade e quanto o adolescente ainda tem para crescer, o especialista pode indicar fisioterapia para fortalecimento postural ou uso de colete ortopdico.
     Uma dica para que os pais possam averiguar periodicamente se h algum tipo de alterao na coluna dos filhos  colocar a criana ou o adolescente de p e pedir que ele encoste os dedos das mos nos ps. A coluna fica evidente e qualquer alterao tambm. Ainda assim,  recomendvel que a partir dos nove anos de idade seja feito o acompanhamento clnico para evitar problemas futuro.

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